Sua Saúde Mental Vale Bem Mais Que Algumas Curtidas

Uma breve reflexão sobre os “efeitos colaterais” de uma sociedade que interage cada vez mais de maneira digital

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O despertador toca, você luta para abrir os olhos, pega seu celular e com a visão ainda um pouco embaçada, coloca o modo soneca. Ao invés de realmente tirar uma soneca você começa a verificar as notificações, 15 curtidas na sua foto do Instagram, 3 novos comentários no texto publicado ontem no Facebook, 5 retweets na sua publicação ironizando aquele político que você odeia. Parece que foram só alguns minutos, mas na verdade já se passaram 40. Essa cena é familiar para você?

Essa é uma pequena ilustração de como as redes sociais podem tomar o seu bem mais precioso, o tempo. Não é por acaso que você perde inúmeras horas com os olhos na telinha do seu celular. Existe uma máxima no mundo digital que diz mais ou menos o seguinte:

Se você não está pagando pelo produto então o produto é você!

Quanto mais tempo na plataforma, mais anúncios você verá, quanto mais interações (curtidas, comentários, postagens), mais eles sabem sobre seus gostos. Conclusão: Maior a probabilidade de você clicar num anúncio e gerar receita.

Nós já estamos tão acostumados com essa segunda vida, que quase nunca nos damos conta do quão tóxica ela pode ser. Já se pegou horas debatendo em uma publicação do seu amigo, e no final, se sentiu frustado ou irritado? Já sentiu que sua vida não é tão empolgante quanto a daquele seu amigo que acabou de postar aquela foto maravilhosa da viagem ou com a turminha na balada? Ou que você não tem a mesma qualidade de vida da sua amiga que todo fim de semana posta uma foto na praia? Eu passei por tudo isso e como consequência veio a ansiedade, a perda de sono e a baixa autoestima. Até que um belo dia decidi desativar todas as redes sociais, ficando somente com o WhatsApp (pra não ficar incomunicável), mas para ajudar, saí daqueles grupos com discussões acaloradas ou quase sempre vazias.

Quando as pessoas falam de vício em redes sociais, a palavra “vício” não é exagero. Nas primeiras semanas você sente uma vontade quase incontrolável de voltar, abre o celular e automaticamente procura o ícone do Facebook, Twitter ou Instagram. Você sente que está perdendo uma parte importante da sua vida, seu cérebro começa a criar mecanismos para auto sabotar seus planos de ficar afastado. “Poxa, preciso ver quando é aquele evento”. “Esqueci de mandar uma mensagem para o fulano.” “Tenho que pegar aquele material no grupo da faculdade” e por ai vai, as mais variadas mentiras que você conta a você mesmo para acabar com seu próprio plano. No entanto, se você resistir a tentação e conseguir ficar pouco mais de um mês offline começará a perceber algo muito interessante (lê-se preocupante):

As pessoas estão valorizando cada vez mais a vida nas redes sociais em detrimento da vida real!

Você vai a um show, celulares ao alto, muita gente fazendo stories, pouca gente curtindo a música. Você vai a um barzinho, selfies em todas as mesas, fotos do prato e da bebida, quase sempre ajustados milimetricamente para tal fim. Você está no ônibus ou metrô e quando olha ao redor, as pessoas estão rolando feeds infinitos de maneira robótica.

É claro que as redes sociais trazem coisas boas, você pode falar com qualquer pessoa em qualquer lugar, acompanhar as novidades sobre seu cantor favorito e ficar por dentro do que está acontecendo na cidade e no mundo. Mas será que esses pequenos benefícios compensam os malefícios? Para mim há muito tempo a resposta é NÃO, minha saúde mental não vale essas pequenas recompensas efêmeras.

Quem nunca ouviu dos pais ou avós histórias de quando tinham algum trabalho escolar e caminhavam até uma biblioteca, selecionavam alguns livros e tomavam anotações num papel durante horas? Hoje em dia, toda essa jornada em busca de conhecimento se resume a alguns cliques no Google. Diferente deles, vivemos em uma época onde a falta de informação não é o problema e sim o excesso dela. É preciso saber filtrar para não sentir-se sobrecarregado e esse filtro passa inevitavelmente pelas suas contas no Instagram, Facebook, Twitter e qualquer outra rede social que tenha surgido nos últimos tempos.

Precisa de tempo para estudar ou começar uma atividade nova? Experimente monitorar durante uma semana quantas horas são gastas com as redes sociais. Provavelmente você irá se surpreender com o resultado. Você se sente angustiado, ansioso ou sobrecarregado? Experimente desativar por algumas semanas suas redes sociais. Acredite, não é o fim do mundo e você não ficará isolado. As pessoas que se importam de verdade com você, certamente sabem seu endereço ou ao menos o número do seu telefone.

Tenho visto cada vez mais pessoas falando sobre os problemas que cercam as redes sociais. Acredito que esse é o caminho para que nos próximos anos, as empresas por trás delas, mudem sua postura com relação aos mecanismos e algoritmos, que tentam a todo custo nos manter conectados. Não acredito em nenhum tipo de regulamentação por parte do governo, um pequeno grupo de burocratas que não entende nada do assunto dizendo como, aonde, e até que ponto as pessoas devem interagir, não é uma solução plausível. A Internet é o que é hoje, justamente por ser (quase sempre) livre, um reflexo genuíno dos anseios da sociedade.

Se você também acredita que esse excesso de interações digitais está de alguma forma afetando seu bem estar, então acabe com suas redes sociais antes que elas acabem com você.

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A Brazilian software engineer resolving problems with React Native, TypeScript, GraphQL, and some other nice technologies.

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